O Salão de Atos da Prefeitura de Getúlio Vargas recebeu, na tarde desta segunda-feira (1º), a palestra “Acolher, Avaliar, Agir: Intervenção Inicial no Risco de Suicídio”, realizada pela psicóloga Juliana Polesello. O evento integrou a programação do Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social em parceria com o CAPS I Ana Deolinda Fischer. A atividade reuniu profissionais da saúde, gestores e representantes da comunidade, em um espaço de diálogo e qualificação.
Durante sua exposição, Juliana Polesello destacou a gravidade do cenário global e nacional. “Mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, em 2018, foram registradas 12.733 mortes, o que equivale a cerca de 35 por dia. Entre adolescentes, o crescimento dos casos nos últimos anos é ainda mais preocupante, chegando a 81%. É a terceira causa principal de morte entre jovens e 15 a 19 anos”, afirmou. As imagens e gráficos projetados pela palestrante reforçaram a gravidade da situação, chamando a atenção dos presentes para a necessidade de ampliar a prevenção.
FATORES DE RISCO E DESAFIOS
A palestrante ressaltou que o suicídio não pode ser reduzido a uma única causa. “Não se trata apenas de transtornos mentais. Há fatores sociais, biológicos e culturais envolvidos. Muitas vezes, a questão central não é o desejo de morrer, mas de cessar uma dor psicológica insuportável”, explicou.
Entre os fatores de risco, Juliana citou tentativas anteriores, histórico familiar, abuso na infância, impulsividade, isolamento social, doenças crônicas, além de situações como perdas afetivas, desemprego e uso de substâncias. Ela alertou ainda para a necessidade de escuta qualificada: “Perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas não induz ninguém ao ato. Pelo contrário, é fator de proteção”.
ROMPER MITOS E CUIDAR DA LINGUAGEM
Outro ponto abordado foi a necessidade de desconstruir mitos e cuidar da forma como o tema é tratado socialmente. Expressões como “suicídio bem-sucedido” ou “ameaça de suicídio” foram citadas como inadequadas, pois reforçam estigmas e podem impactar negativamente pacientes e familiares. A recomendação, segundo a palestrante, é utilizar termos corretos como morte por suicídio, tentativa de suicídio ou ideação suicida.
COMPROMISSO COLETIVO
Para o secretário de Saúde e Assistência Social, Elgido Pasa, o encontro reforça o papel da rede de atenção em saúde mental no município. “O Setembro Amarelo é um chamado para fortalecer a escuta, o acolhimento e a esperança. Nossa missão é valorizar a vida em todas as suas dimensões”, destacou a coordenação do CAPS I.
O evento integra as ações permanentes da Prefeitura de Getúlio Vargas para ampliar o cuidado, promover informação de qualidade e fortalecer estratégias de prevenção, alinhadas ao compromisso de valorização da vida.

