Fórum da Educação encerra com reflexões sobre autismo, ciência e humanização

Fórum da Educação encerra com reflexões sobre autismo, ciência e humanização

Fórum da Educação encerra com reflexões sobre autismo, ciência e humanização

Palestra sobre autismo desmistifica espectro e defende inclusão

 

O último dia do Fórum Municipal, Regional e Nacional de Educação, realizado em Getúlio Vargas, foi marcado por debates voltados à inclusão e à ciência. Na manhã de sexta‑feira (25), o neurologista Ricardo Lorenzato Bortoluz palestrou sobre “Autismo e Inclusão”, com mediação da neuropsicóloga Diane Aparecida Lorenzi. O especialista explicou que o espectro autista não é uma doença, mas uma condição neurobiológica que se manifesta de forma diferente em cada indivíduo.

Ao apresentar legislação recente — como a Lei nº 13.146/2015, que garante direitos às pessoas com deficiência, e a Lei nº 12.764/2012, que determina o direito à educação inclusiva — ele lembrou que o dever de adaptação é das escolas: “Não é a criança que deve se adaptar, é a escola que deve se adaptar”, afirmou o médico. A palestra abordou dificuldades comuns, como problemas de coordenação motora e hipersensibilidade sensorial, e apresentou dados que mostram o aumento da prevalência do transtorno, de 1 em cada 256 crianças no início dos anos 2000 para 1 em cada 36 atualmente. Bortoluz frisou que, sem conhecimento e empatia, é impossível incluir: “O desafio que uma criança com autismo enfrenta ao entrar na escola pode ser multiplicado por dez. É preciso estudar e ter sensibilidade para acolher”, completou.

Além das abordagens teóricas, representantes do programa TEAcolhe apresentaram as ações do serviço na região. Eles explicaram como funciona a emissão da CIPTEA, a carteira de identificação que garante prioridade em serviços, e destacaram a importância do matriciamento intersetorial, que articula saúde, educação e assistência social. A equipe incentiva que escolas e famílias procurem os pontos focais do programa para encaminhar casos suspeitos de autismo e acompanhar a avaliação e o atendimento. “São momentos muito valiosos”, ressaltou uma das coordenadoras, agradecendo à comissão organizadora e convidando os participantes a usufruir da rede de apoio.

CIÊNCIA E DEMOCRACIA NA CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO

À tarde, o auditório voltou a encher para ouvir a professora e pesquisadora Maria Beatriz Moreira Luce, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que conduziu a conferência “Inovação e Inclusão: Educação e Ciência como Possibilidades de Realização do Humano”. A estudiosa relacionou a democratização do conhecimento científico à construção de uma escola pública mais justa. Para ela, inovação não se resume a ferramentas digitais; significa promover ciência cidadã e ensinar estudantes a questionar, pesquisar e pensar criticamente. Ela argumentou que a ciência, quando compreendida como patrimônio coletivo, ajuda a combater desigualdades e rompe barreiras culturais: “A ciência faz parte da experiência humana. Democratizá‑la é dar acesso a todos, inclusive aos excluídos, para que possam realizar plenamente seu potencial”.

Maria Beatriz também defendeu que a inovação deve estar a serviço da inclusão, respeitando as singularidades dos alunos e aproximando a universidade das escolas. Citando experiências de escolas públicas que trabalham com projetos inovadores, ela mostrou que é possível integrar inovação pedagógica a valores humanistas, estimulando a autonomia intelectual e o cuidado mútuo. A conferência foi mediada pelo professor Ivonei Fabiano Grolli e seguida por perguntas do público.

ENCERRAMENTO COM ARTE E DEPOIMENTOS EMOCIONADOS

O encerramento do fórum reuniu todas as gerações no auditório. Antes da conferência final, alunos da EMEI Cônego Stanislau Olejnik apresentaram um momento cultural, unindo música e teatro. Em seguida, a Banda da APAE de Getúlio Vargas subiu ao palco e emocionou a plateia com interpretações que simbolizam a força da inclusão.

Ao final do evento, a secretária de Educação, Luciane Spanhol Bordignon, agradeceu aos mais de 500 inscritos e ressaltou que o fórum alcançou o objetivo de promover reflexão e formação continuada. “Falar de inovação e inclusão é pensar em educação para todos e construir, juntos, um futuro melhor”, declarou. Um dos participantes, o professor da rede privada Jean Zimmermann da Silva, disse que, para ele, o encontro foi grandioso e serviu para ressignificar as práticas pedagógicas. “A gente percebe questões, demandas de sala de aula que a gente encontra com outros colegas aqui, os palestrantes maravilhosos, então estou muito feliz em poder participar deste fórum deste ano que está maravilhoso”, disse Jean.

O Fórum da Educação 2025 foi organizado pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto com apoio do Centro Universitário UNIDEAU, URI Erechim, UPF, UFFS, IFRS, programa Te Acolhe RS e outras instituições. A programação de três dias incluiu simpósios temáticos, lançamento da revista Saberes & Fazeres, oficinas pedagógicas e momentos culturais.

Assessoria de Imprensa

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